Indisciplina e desrespeito atrapalham aulas. Na opinião dos professores, família deve ajudar impor limites
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Na opinião do educador, a lei, ao tentar proteger, se tornou permissiva demais. “Os alunos tem a certeza da impunidade. E muitos pais, mesmo sabendo que estão errados, se posicionam em favor do filho”,lamenta. Prova disso é a situação envolvendo a professora de Espanhol, Elvira Benitez Silva (veja opinião na página 02). Sem ter mais a quem apelar, ela mostra sua indignação. “Chega ao ponto de que o aluno(a) rasgue o livro do professor”, afirma. Na opinião da professora de História, Noeli Lange, os tempos mudaram. E o comportamento também. Ela lamenta que na hora da explicação, os alunos não dão a devida atenção. “E quando não vão bem em prova a culpa é do professor. A maioria se revolta”. A professora chegou a ter seu e-mail raqueado por aluno. O caso foi parar na justiça.“Conseguiram acessar o msn ao mesmo tempo que eu. Como envolvia menor de idade, não tinha muita coisa a ser feita.” Depois de 24 anos de profissão, ela não esperava uma coisa dessas. “Mas infelizmente, os alunos não tem mais o carinho com o professor, como se tinha antes.” MEDIDAS O juiz da Comarca de Laranjeiras do Sul, Dr. Bernardo Fazolo Ferreira ressalta que tratando-se de jovens, nestes casos pode ser feita a aplicação de medidas sócio-educativas de caráter pedagógico e encaminhar o aluno para ser orientado. “É possível também a aplicação de medidas socioeducativas de prestação de serviços a comunidades, para ele sentir que tem consequências. Até a ponto de chegar a uma internação”, afirma. As medidas socioeducativa partem desde uma advertência em uma audiência para que o adolescente se sinta constrangido. Segundo o juiz, isso se faz necessário para tentar provocar o interesse de se comportar de acordo com a lei. PREJUÍZO AO ESTADO Em maio deste ano, segundo levantamento realizado pela Secretaria Estadual de Saúde e Previdência da APP-Sindicato, aproximadamente 3.100 professores e 1.800 funcionários de escola da rede estadual do Paraná estiveram em licença médica. Boa parte dos afastamentos tem se dado, conforme apontou pesquisa da APP realizada no ano passado com a categoria, por doenças ligadas à natureza do trabalho docente e do funcionário. Estas são, em sua maioria, de ordem psicológica ou motora. Segundo estudo realizado pelo Dieese, se estes afastamentos forem de 30 dias, o Estado do Paraná está, só na área da educação, aplicando cerca de R$ 3,5 milhões a mais na folha de pagamento para a substituição dos educadores em licença médica. Seriam R$ 2,2 milhões para substituição de professores e outro R$ 1,2 milhão para a substituição de funcionários. Para efeito deste cálculo, foi considerado o professor com 20 horas semanais. http://www.jcorreiodopovo.com.br/exibenoticia.php?id=por-que-o-respeito-acabou |
